História

A Origem

O jiu-jitsu ou jiu-jítsu (em japonês 柔術, transl. jū, “suavidade”, “brandura”, e jutsu, “arte”, “técnica”) é uma arte marcial japonesa, porém de origem indiana, que utiliza alavancas e pressões para derrubar, dominar e submeter o oponente, tradicionalmente sem usar golpes traumáticos, que não eram muito eficazes no contexto em que a luta foi desenvolvida, porque os samurais (bushi) usavam armaduras.

A partir desse ponto de vista, faz todo sentido associar os monges budistas da Índia de cerca de 2.000 anos antes de Cristo com as origens do Jiu-Jitsu.

O sistema de valores budista de profundo respeito a todas as formas de vida permitiu o desenvolvimento de um sistema de defesa pessoal que visasse neutralizar uma agressão sem necessariamente machucar o agressor. Envolvido por importantes princípios budistas como o de agir de um modo não-prejudicial ou da busca do domínio próprio e do esclarecimento, o Jiu-Jitsu atendeu muito bem as necessidades de defesa pessoal dos monges e se espalhou por toda a Ásia em direção a China e mais tarde ao Japão, seguindo a expansão do budismo no continente. Jigoro Kano (1860-1938), membro do Ministério de Cultura e Artes Marciais do Japão, teve um papel importante no resgate da reputação do Jiu-Jitsu em momentos de paz.

Mitsuyo Maeda, o Conde Koma
Mitsuyo Maeda, o Conde Koma

No Japão, o termo judô foi usado para se diferenciar do antigo ju-jitsu, quando Jigoro Kano desenvolveu um método pedagógico reunindo as técnicas do ju-jitsu. Os ideogramas Kanji japoneses de Ju jitsu, podem receber diferentes pronúncias. O ideograma “jiu” de jiu-jitsu (柔術) e “ju” de judô (柔道), são na verdade o mesmo.

Basicamente no Jiu-Jitsu usa-se a força (própria e, quando possível, do próprio adversário) em alavancas, o que possibilita que um lutador, mesmo sendo menor que o oponente, consiga vencer. No chão, com as técnicas de estrangulamento e pressão sobre articulações, é possível submeter o adversário fazendo-o desistir da luta (competitivamente), ou (em luta real) fazendo-o desmaiar ou quebrando-lhe uma articulação.

O Jiu-jitsu era a arte de combate corpo-a-corpo samurai, que com o fim dos samurais na era Meiji, ficou sendo marginalizado. Jigoro kano mestre de jiu-jitsu japones, criou uma pedagogia revolucionaria que ficou conhecida como Kano Jiu-Jitsu que depois por motivos políticos ficou conhecido como judô (uma arte que usa os mesmos principios de combate do antigo jiu-jitsu mas, que ia além disto, estudava também o caminho do homem na sociedade).

A partir do final do século XIX, alguns mestres de jiu-jitsu migraram do Japão para outros Continentes, vivendo do ensino da arte marcial e das lutas que realizavam.

Esai Maeda Koma, conhecido como Conde Koma, foi um deles. Depois de viajar com sua trupe lutando em vários países da Europa e das Américas, chegou ao Brasil em 1915 em missão diplomática e fixou-se em Belém do Pará, aonde no ano seguinte, conheceu Gastão Gracie. Pai de oito filhos, cinco homens e três mulheres, Gastão tornou-se um entusiasta do jiu-jitsu e levou o mais velho, Carlos, para aprender a luta com o japonês. Iniciou-se aí o Jiu-Jitsu no Brasil!

O Jiu-Jitsu no Brasil

No século XIX, mestres de artes marciais japonesas migraram do Japão para outros continentes, vivendo do ensino dessas artes e de lutas que realizavam.

Mitsuyo Maeda, conhecido como Conde Koma, foi um grande judoka da Kodokan, nos primórdios deste. Depois de percorrer vários países com seu grupo, chegou ao Brasil em 1915 e fixou residência em Belém do Pará, existindo até hoje nessa cidade a Academia Conde Coma. Um ano depois, conheceu Gastão Gracie. Gastão era pai de oito filhos, sendo cinco homens, tornou-se entusiasta do Judô e levou seu filho Carlos Gracie para aprender a luta japonesa.

Carlos Gracie 1902-1994
Carlos Gracie 1902-1994

Pequeno e frágil por natureza, Carlos encontrou no judo (na época ainda conhecido como “Kano jiu-jitsu”) o meio de realização pessoal que lhe faltava. Com dezenove anos de idade, transferiu-se para o Rio de Janeiro com a família, sendo professor dessa arte marcial e lutador. Viajou por outros estados brasileiros, ministrando aulas e vencendo adversários mais fortes fisicamente.

Em 1925, voltando ao Rio de Janeiro e abrindo a primeira Academia Gracie de jiu-jitsu, convidou seus irmãos Osvaldo e Gastão para assessorá-lo e assumiu a criação dos menores George, com quatorze anos, e Hélio Gracie, com doze. A partir daí, Carlos transmitiu seus conhecimentos aos irmãos, adequando e aperfeiçoando a técnica à condição física franzina, característica de sua família. Também transmitiu-lhes sua filosofia de vida e conceitos de alimentação natural, sendo um pioneiro na criação de uma dieta especial para atletas, a Dieta Gracie, transformando o jiu-jitsu em sinônimo de saúde.

Detentor de uma eficiente técnica de defesa pessoal, Carlos Gracie vislumbrou no jiu-jitsu um meio para se tornar um homem mais tolerante, respeitoso e autoconfiante. Com o objetivo de provar a superioridade do jiu-jitsu e formar uma tradição familiar, Carlos Gracie desafiou grandes lutadores da época e passou a gerenciar a carreira dos irmãos.

Carlos Gracie aplicando armlock
Carlos Gracie aplicando armlock

Lutando contra adversários vinte, trinta quilos mais pesados, os Gracie logo conseguiram fama e notoriedade nacional. Atraídos pelo novo mercado que se abriu em torno do jiu-jitsu, muitos japoneses vieram para o Rio de Janeiro, porém nenhum deles formou uma escola tão sólida quanto a da Academia Gracie, pois o jiu-jitsu praticado por eles privilegiava somente as quedas (já vinham com a formação da Kodokan do mestre Jigoro Kano), já o dos Gracie enfatizava a especialização: após a queda, levava-se a luta ao chão e se usavam os golpes finalizadores, o que resultou numa espécie de luta livre de quimono.

Ao modificar as regras internacionais do judo e jiu-jitsu japonês nas lutas que ele e os irmãos realizavam, Carlos Gracie iniciou o primeiro caso de mudança de nacionalidade de uma luta, ou esporte, na história esportiva mundial. Anos depois, a arte marcial passou a ser denominada de gracie jiu-jitsu ou brazilian jiu jitsu, sendo exportada para o mundo todo, até mesmo para o Japão.

O Brasilian Jiu-Jitsu

Enquanto, no Brasil, o Jiu-Jitsu evoluiu para níveis de desenvolvimento técnico nunca antes alcançados na luta de chão, outras artes como o Karatê, o Tae Kwon Do e o Judô se popularizaram bastante graças aos filmes de Hollywood e às Olimpíadas.

Embora essas artes marciais tenham técnicas muito boas, eles se restringem a apenas um aspecto do combate real e, só funcionam desde que respeitada uma série de regras que garantem as circunstâncias em que essas técnicas são eficientes. Gerações de praticantes de artes marciais passam muitos anos aprendendo um aspecto da luta (socos e chutes, quedas ou imobilizações), acreditando que isso seja suficiente em situações reais.

Em 1.993, esse pressuposto enfrentou seu maior desafio quando Rorion Gracie organizou o primeiro UFC como forma de disputa entre atletas de diferentes artes marciais.

O mundo ficou surpreso quando um lutador mais leve e, aparentemente, mais fraco, chamado Royce Gracie, derrotou todos os seus adversários lutando basicamente no chão, utilizando-se de estrangulamentos e chaves em articulações para fazê-los desistir da luta. Os praticantes de outras artes marciais começaram, então, a perceber que se não soubessem Jiu-Jitsu Brasileiro, tudo aquilo que sabiam de luta seria inútil contra um lutador de Jiu-Jitsu.

Royce Gracie no UFC
Royce Gracie no UFC

Essa percepção provocou o que muitos chamam de “Revolução do Jiu-Jitsu Brasileiro” nas artes marciais. Uma grande mudança de foco e de treinamento da luta de chão se seguiu. Um impacto como esse no universo das artes marciais causou um grande aumento na procura pelo ensino do Jiu-Jitsu no mundo todo. Faixas-Pretas qualificados do Jiu-Jitsu Brasileiro foram convidados para dar seminários em diversos países para aquelas pessoas que nunca tinham ouvido falar desse estilo de luta dominante e que, portanto, estavam intrigadas.

Em 1.994, Carlos Gracie Jr. lançou uma importante iniciativa para conseguir apoio para a fundação da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu. A CBJJ uniformizou as regras das competições e promoveu o primeiro Campeonato Brasileiro.

O trabalho dos professores de Jiu-Jitsu, da Confederação Brasileira, e das federações estaduais para organizar os campeonatos, definir as regras e institucionalizar o Jiu-Jitsu como esporte nacional foi crucial para preservar a identidade do esporte e manter vivo o legado de Carlos Gracie.

O Jiu-Jitsu no mundo

O jiu-jitsu hoje é o esporte individual que mais cresce no país: possui cerca de 350 mil praticantes com 1.500 estabelecimentos de ensino somente nas grandes capitais. Na parte de educação, o ensino do jiu-jitsu ganhou cadeira como matéria universitária (Universidade Gama Filho).

Com a criação da Federação de Jiu-Jitsu Brasileiro, as regras e o sistema de graduação foram sistematizados, dando início a era dos campeonatos esportivos.

Alunos de Rocian Gracie Jr
Alunos de Rocian Gracie Jr

Hoje mais organizado, o Jiu-Jitsu Brasileiro já conta com uma Confederação e uma Federação Internacional, fundadas por Carlos Gracie Jr. como presidente (das duas entidades) e José Henrique Leão Teixeira Filho como vice-presidente da CBJJ, os dois partiram para uma organização nunca vista antes em competições de jiu-jitsu, as competições nacionais e internacionais que vem sendo realizadas, confirmam a superioridade dos lutadores brasileiros, considerados os melhores do mundo, e projetaram o jiu-jitsu ou brazilian jiu-jitsu, como a arte marcial que mais cresce no mundo atualmente.

De uns tempos para cá, proliferam academias das mais variadas lutas orientais como Judo, Karatê, Kung-fu, Taekwondo, Aikido, Boxe Tailandês, etc. A verdade, porém é que a base de todas as lutas é o JIU-JITSU, que é composto de 113 estilos, dos quais somente 64 são conhecidos em nossos dias, podendo ser praticado em pé ou no chão e com qualquer tipo de vestuário. O Brasil produz a cada ano diversos campeões mundiais em todas as suas categorias sendo notória a sua superioridade técnica.

Inclua o nosso método de ensino em sua academia

O método de ensino Rocian Gracie Jr de Jiu-Jitsu pretende possibilitar a organização e a padronização do ensino/aprendizado do Jiu-JItsu. Trata-se de uma forma efetiva de ensinar mais de 200 golpes selecionados entre os básicos e os mais avançados, da faixa branca à faixa preta.

Saiba mais!