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SAIBA MAIS SOBRE O ROCIAN GRACIE

A minha história, com o jiu-jitsu, iniciou-se desde que eu tinha três anos de idade, quando entrei num tatame com o meu pai. Contudo, meu pai foi morar fora do Brasil em seguida e, eu, treinava em academias na minha cidade, Teresópolis, RJ. Sofri na minha pré-adolescência por ser um “Gracie” e não treinar numa academia de um membro da minha família. Sofri com cobranças e “bulling” … Nada fácil.

Com 13 anos, decidi, com o apoio da minha mãe e de um tio, ir até a casa do meu pai. Lá, num país estranho a mim, com cultura, língua, hábitos, comida e escola diferentes, comecei  a amadurecer cedo…

Meu pai, já não treinava mais o jiu-jitsu, então, por um período, me afastei do esporte e, neste período, iniciou-se, para mim, uma fase de sobrevivência. Procurei empregos em supermercados, lojas de conveniência, restaurantes, etc. Sobrevivia…

Dentro deste período, passei a treinar jiu-jitsu com o meu falecido tio Carlson Gracie.

Precisei, então, voltar ao Brasil, para acompanhar o final da vida de meu avô materno e decidi, daí, que eu daria aulas de jiu-jitsu.

Trabalhei num hotel, na minha cidade, juntei dinheiro e voltei para a casa de meu pai, nos USA. Ele me cobrava aluguel, então, eu não podia me dedicar só ao treino. Precisava trabalhar. E, eu queria trabalhar com o jiu-jitsu.

Não era um faixa preta, ainda, mas poderia dar aulas em academias diversas. Minha batalha começou. Não conseguia academia para dar aulas. E, eu não queria desistir de dar aulas.

Em uma dessas minhas visitas a essas academias, escutei um rapaz dizendo que dava aulas de yoga e alongamento  em um  centro comunitário. Os centros comunitários, nos USA,  são da prefeitura e, parecem um parque arborizado, onde, geralmente, tem salas e professores de diversas modalidades de atividades físicas. Os profissionais podem oferecer aulas por um custo menor e acessível às pessoas da comunidade.

Daí,  fui em busca de um centro comunitário. Consegui, não tão facilmente,  em uma cidade chamada Santa Ana, uma dessas salas. Fiquei tão feliz que nem me importava o fato de que a sala não era apropriada para o jiu-jitsu: no chão, não havia tatame e sim carpete. Um fino carpete.

Este centro comunitário ficava bem escondido então, meu próximo objetivo era divulgar o meu trabalho: voltei nas academias que eu já havia visitado, oferecendo aulas gratuitas, a fim de atrair alunos para o centro comunitário e meu pai me ajudou a imprimir panfletos em seu computador.

Juntei dinheiro e comprei um  tatame de 2 por 3 metros –  o que já dava para lutar no macio.

Comecei a dar aulas em algumas outras academias, também. Nesta época eu havia conseguido dar entrada em uma picape bem velhinha, com bancos atrás, o que me ajudava a levar os tatames de uma academia para outra. Depois de quase um ano, eu consegui, por meio de um aluno a montar um clube de jiu-jitsu  em uma universidade, o que também foi muito legal.

Sempre contando comigo mesmo, fui caminhando. Conquistei a faixa preta com mérito, na Academia do Mestre Carlson e voltei ao Brasil.

Fundei minha primeira academia, com a ajuda de uma sócia. Estava caminhando contudo,  a sociedade se desfez.

Fui para um outro espaço, em São Paulo, e comecei uma nova luta. Estava comigo mesmo, de novo. Haviam dias e horários que eu dava aulas para dois ou três alunos… NUNCA DESISTI. JIU-JITSU ERA O QUE EU SABIA E QUERIA FAZER.

Nunca pude treinar jiu-jitsu sem trabalhar com ele. E, descobri que eu não podia trabalhar com ele, sem ensinar a sua essência. Criei, então, um método apostilado, didático, faixa a faixa, a fim de ensinar o jiu-jitsu. A fim, na verdade, que o meu aluno aprendesse jiu-jitsu. Deu certo.

Não guardo cartas na manga, ensino tudo o que eu aprendi, o que eu aprendo e o que eu vivencio. E, pode ter certeza, eu aprendo todos os dias…

 

Desde pequeno, ouço e vejo que, no jiu-jitsu, o aluno é graduado por mérito de combate, isto é, quem vence mais lutas em torneios, “ganha” a faixa da vez. O aluno que perde, fica na faixa atual dele. Além disso, há os alunos que são graduados pelo tempo de faixa, ou seja, se está a três anos na faixa branca, por exemplo, “pega” a faixa azul.

Nunca concordei com isto. Sempre entendi, até pela minha própria vida, que cada um é um e existem alunos que têm muito mais habilidade para lutar em campeonatos e outros não. Às vezes, percebo que dois alunos têm a mesma prática e facilidade de aprendizado, na academia.  Acontece que um tem disposição física e emocional para participar de campeonatos e o outro não.

Sem dizer, ainda, que num combate, obviamente, sempre tem um vencedor. Podem ser duas potências de atleta ou não. Imagine que, num combate, um atleta tenha  mais tempo de faixa que o outro, e é considerado o “melhor”. Dependendo do dia, o “melhor” perde. Isto não significa que o vencedor mereça graduação.

Considerando importante a individualidade de cada um, onde cada aluno deve ser tratado como indivíduo, cada qual com suas habilidades, dificuldades e facilidades  e,  vendo a necessidade que o jiu-jitsu tem de padronizar o sistema de graduação, criei o que chamo de “método” dentro da minha academia.

No “método”  há todas as posições necessárias para que um aluno alcance a faixa preta. Cada faixa tem quatro graus e, a cada grau, deve ser realizado um exame; uma prova, onde o aluno é avaliado individualmente e verdadeiramente por mim. O aluno deve “acertar”, pelo menos 80% da prova para graduar-se.

Com o “método”, cada aluno adquire consciência de que precisa estudar para alcançar os graus da faixa e, conseqüentemente, a faixa subseqüente. Cada um sabe o tempo médio para a sua próxima graduação.

Posso perceber, nos meus professores diários – que são os meus alunos  – que eles têm “sede” de conhecer o jiu-jitsu. Eles não buscam o jiu-jitsu apenas para lutar campeonatos e sim para superar o nível que estão de faixa e ir em busca do objetivo “faixa preta”. Meus alunos têm esse objetivo. É demais!

Quero frisar que o jiu-jitsu é transportado para o dia-a-dia do aluno e posso afirmar que meus alunos passam a ter objetivos na vida. Dizem que uma coisa leva a outra, e ajudar um indivíduo a descobrir, por meio do jiu-jitsu, metas e objetivos em sua vida, me motiva a lutar para que todos conheçam este  método de ensino.